Medicina nuclear no Brasil: formação e acesso aos serviços entram no centro do debate


Resumo: debate realizado na INAC 2026, com participação de especialistas do setor nuclear, voltou a colocar em evidência dois desafios estratégicos para a medicina nuclear no Brasil: ampliar o acesso aos serviços e formar profissionais capazes de sustentar a expansão tecnológica com segurança e qualidade.

Em 28 de agosto de 2026, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) divulgou os principais pontos de uma mesa realizada durante a Conferência Internacional Nuclear do Atlântico (INAC 2026). Entre os temas discutidos estiveram a formação de recursos humanos, a transferência de conhecimento entre gerações e as desigualdades de acesso às tecnologias nucleares aplicadas à saúde.

Por que o tema importa para a medicina nuclear

A medicina nuclear depende de uma cadeia altamente especializada: produção e transporte de radiofármacos, infraestrutura autorizada, equipamentos de imagem e terapia, proteção radiológica, equipes multiprofissionais e regulação técnica. Por isso, ampliar o atendimento não significa apenas instalar novos equipamentos; exige também logística, qualificação profissional e capacidade de manter os serviços de forma segura e contínua.

Segundo a CNEN, a mesa da INAC destacou que ainda existem diferenças regionais importantes na oferta de serviços e que a formação de novos profissionais é parte essencial da sustentabilidade do setor. A própria Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) mantém lista pública de instalações autorizadas e, em atualização de junho de 2026, registrava centenas de instalações de medicina nuclear e radioterapia em operação no país.

Formação profissional e transferência de conhecimento

Outro ponto central foi a necessidade de preservar e transmitir conhecimento técnico entre gerações. Em áreas que utilizam radiações ionizantes, essa transferência envolve não apenas domínio tecnológico, mas também cultura de segurança, qualidade, radioproteção, gestão de risco e atualização regulatória.

Essa discussão se conecta a iniciativas institucionais recentes. Em março de 2026, ANSN e INCA discutiram cooperação para ampliar a segurança em radioterapia e medicina nuclear, incluindo a formação de físicos médicos e o aprimoramento regulatório. Em fevereiro, a ANSN também discutiu com a Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear questões relacionadas ao transporte de radiofármacos e à necessidade de um acesso mais eficiente e uniforme aos insumos.

Acesso ainda é um desafio estrutural

O debate de 2026 reforça um diagnóstico já apontado em estudo divulgado pela própria CNEN em 2025: a distribuição geográfica das instalações e as barreiras logísticas podem limitar o acesso equitativo da população aos exames e tratamentos de medicina nuclear no SUS.

Para o sistema de saúde, isso significa que expansão tecnológica, regulação e formação profissional precisam avançar de maneira coordenada. A disponibilidade de radiofármacos, por exemplo, é diretamente influenciada por produção, transporte e tempo de meia-vida dos radionuclídeos, o que torna a logística um componente crítico da assistência.

O que profissionais e estudantes devem acompanhar

  • expansão e distribuição regional de serviços de medicina nuclear;
  • novas autorizações e regras da ANSN;
  • registros e disponibilidade de radiofármacos;
  • programas de formação e capacitação em proteção radiológica e física médica;
  • iniciativas de pesquisa, inovação e produção nacional de radioisótopos;
  • ações voltadas à ampliação do acesso no SUS.

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Para aprofundar o tema, veja também: Medicina nuclear: radiofármacos, SPECT, PET e proteção radiológica e CNEN reajusta preços de radioisótopos e radiofármacos.

Referências

Aviso educativo: este conteúdo tem finalidade informativa e educacional. Não substitui protocolos institucionais, normas regulatórias vigentes nem orientação de profissionais habilitados.


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